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Dupla de irmãos cambeenses canta há 25 anos
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23 de Julho de 2010 - 09h56min
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Divulgação
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Pedro e Eduardo Furtado começaram como Sertãozinho e Sertanejo, depois viraram Edu e Eduardo. Com esses nomes eles viajaram por palcos pelo Brasil, vivendo de cantar.
Há 25 anos surgia a dupla Sertãozinho e Sertanejo. “O nome foi uma homenagem ao meu pai, que nasceu em Sertãozinho, no estado de São Paulo”, recorda Pedro Furtado, 45 anos, o “Sertanejo” que cantava com seu irmão mais novo Eduardo, na época com 15 anos.
Foi Nelson e Dona Flora, pais dos irmãos, que primeiro os introduziram ao sertanejo. “Eles viviam cantando em casa para a gente. Nós sempre moramos no sítio, mas com a geada de 75 tivemos que nos mudar para a cidade (Cambé). Foi nessa época que comecei a tocar viola”, lembra Pedro.
Quem ensinou os primeiros acordes na viola para o cambeense foi “Zé da Viola”. “Ele sempre passava em casa, mesmo ‘meio ligado”, digamos, a maioria das vezes, foi ele quem me ensinou. Até hoje agradeço o Zé quando o encontro pela rua”, diz.
Depois que aprendeu a tocar, Pedro tratou de ensinar seu irmão. “Nós começamos a tocar no salão paroquial da Igreja e aos poucos fomos nos apresentando em outras cidades da região”.
Em 1991 a dupla trocou de nome e visual. “Abrimos um show de Leandro e Leonardo e o maestro dessa dupla, Walter Neto, sugeriu que mudássemos o nome para Edu e Eduardo”, lembra Pedro. Os irmãos aceitaram a sugestão e até hoje se apresentam com esse nome. Deixaram para trás também o cabelo comprido.
Durante esse 25 anos de vivência em palcos pelo Brasil, a dupla cambeense já passou por experiências bem diferentes. “Alguns acidentes já aconteceram enquanto nos apresentávamos. Uns anos atrás no Mato Grosso do Sul, uma das nossas bailarinas caiu do palco. Foi um desencontro: as luzes se apagaram e ela acabou perdendo a direção. Sorte que ela caiu no meio da galera e eles arremessaram ela de volta. Acho até que acharam que fazia parte do espetáculo”, lembra aos risos.
Outra situação pitoresca aconteceu em Rolândia. “Sempre que entramos no palco um dos nossos assistentes acende duas caixas com pólvora para dar aquele efeito de explosão na entrada. Bom, em Rolândia a gente iria se apresentar num palco baixo, acessível para o público. Aí um sujeito que estava fumando resolveu se desvencilhar de seu cigarro. Ele colocou a bituca justamente dentro da caixa... ficou com a cara toda preta”.
Mas não foi apenas no palco que a dupla passou por experiências marcantes. Pedro também conta histórias sobre as viagens pelo Brasil. Entre essas, a que deixou marcas mais profundas em Pedro aconteceu no interior de Minas Gerais. “Tínhamos acabado de nos apresentar numa cidade pequena e estávamos de saída rumo ao nordeste. Um senhor que comemorava aniversário com um churrasco nos chamou e insistiu para que levássemos uns quilos de carne para comer durante a viagem. Alguns quilômetros de estrada depois nós avistamos uns pés de laranja. Paramos o ônibus descemos e pedimos para uma senhora se podíamos pegar algumas frutas. Ela deixou. Em seguida eu pedi um copo de água. A senhora falou para entrarmos na casa dela. Eu lembro até hoje daquela cena”, diz em lágrimas Pedro.
“A casa não tinha absolutamente nada. Aquele monte de crianças com fome escrita no rosto e a mulher ainda estava grávida. Ela disse que o marido tinha partido atrás de emprego e estava sozinha com as crianças. Foi Deus quem mandou aquele homem dar aquela carne para gente”, acredita.
Pouco depois quando chegou no nordeste Pedro viu outras famílias na mesma situação mas sempre se surpreendeu com otimismo daquele povo. “Mesmo em situações difíceis continuam alegres”, resume.
A dupla já gravou 3 CDs. “A gente sempre procura estar se atualizando com as mudanças no sertanejo. Como, por exemplo, hoje está na moda o sertanejo universitário, então procuramos mesclar esse estilo com o clássico e de raiz. Em breve planejamos gravar um DVD com essa mistura, aqui em Cambé”. Enquanto isso eles seguem se apresentando pelo menos 10 vezes ao mês.
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