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De Cambé Para o Mumdo VII - Mesmo com estabilidade na Suiça, cambeense não descarta retorno ao Brasil

23 de Julho de 2010 - 09h54min

Divulgação 
Nesse instante Luciano está em Brasília onde participa de um processo de gravação com o grupo de percussão KT-Z, do qual foi um dos fundadores em 1996
Luciano Zampar saiu de casa aos 16 anos para estudar percussão. Hoje ele dá aulas de música na Suíça e se apresenta pela Europa com orquestras.

A paixão pela música tem dirigido a vida do cambeense Luciano Zampar, 31 anos, que hoje é professor de música, regente e também trabalha como músico interprete em vários grupos e orquestras na Europa. Nesse instante Luciano está em Brasília onde participa de um processo de gravação com o grupo de percussão KT-Z, do qual foi um dos fundadores em 1996.

No próximo mês ele espera visitar Cambé, para matar as saudades da família e amigos. Em seguida retorna para Lugano, que fica no sul da Suíça próximo à fronteira com a Itália. “É uma cidade turística tipicamente Suíça, com a vantagem de estar no sul dos Alpes, então mais quente e dias mais ensolarados”, explica.

Luciano saiu de casa cedo para estudar música, mais especificamente percussão. “Quando tinha 16 anos fui morar em Santa Maria no Rio Grande do Sul, fazia o terceiro colegial e ao mesmo tempo tocava com o Grupo de Percussão da Universidade Federal de Santa Maria. Naquela época, só havia duas opções de bacharelado em Percussão: Santa Maria ou São Paulo. Através do Festival de Música de Londrina conheci vários professores e optei pelo professor Ney Rosauro que era docente em Santa Maria”, lembra.

Em 2000, quando terminou o bacharelado, o cambeense tomou uma decisão semelhante priorizando o professor e não o lugar. “Queria fazer um mestrado e escolhi um professor da Suíça altamente especializado no repertório que pretendia estudar. No final, o fato de morar a poucas horas de trem da Alemanha, da França, da Itália e da Áustria foi determinante para a realização dos meus objetivos”.

Ele sonhava conhecer bem a Europa e o ambiente cultural onde o repertório musical que estudou se desenvolveu e continua a se desenvolver intensamente. “Consegui completar meus estudos e tocar em vários contextos que até alguns anos atrás nem mesmo imaginava”. O cambeense também ganhou alguns prêmios musicais no exterior.

Como membro do Lugano Percussion Group participou do “ISCM World New Music Days”, do “Martha Argerich Project” e dos Festivais de Darmstadt de 2004 e 2006. Em colaboração com a PRO Helvetia tocou no Conservatório de Moscou. Acompanhado de seus colegas do K-TZ apresentou sua obra “Floema Fluxo” na International Percussion Competition of Luxembourg em 2005.

Diferenças e lembranças

“Depois de vários anos de trabalho consegui uma certa estabilidade na Suíça mas não descarto um retorno definitivo ao Brasil no caso de uma boa oportunidade de trabalho.

Venho para cá nas férias ou a trabalho no mínimo uma vez por ano”, afirma.

Apesar de apreciar a vida na Europa, Luciano não acredita que seja melhor ou pior viver no exterior. Para ele é apenas ‘diferente’. “Escuto várias declarações de como a vida no exterior é melhor mas para mim não é verdade. O Brasil é maravilhoso e temos que aprender a valorizar nós mesmos e a nossa terra. Na minha opinião, para equilibrar as diferenças entre o Brasil e alguns países europeus temos que perceber a importância do nosso comportamento, da própria responsabilidade de ser cidadãos ativos, exigindo mais respeito da classe política por exemplo”.

O cambeense considera a Suíça como um país muito bem organizado, com leis que funcionam e boas possibilidades de planejamento a longo prazo, “coisa muito importante para quem trabalha na área de educação e cultura”.

Ele não teve muitos problemas para se adaptar com a vida na Europa. “A Suíça tem 4 línguas nacionais, por sorte fui morar na parte aonde o italiano é a principal língua. Como é um idioma mais próximo do nosso português não foi muito difícil se comunicar. No conservatório estudei e trabalhei com músicos de todas partes do mundo: norte americanos, asiáticos, e gente de todas partes da Europa, entre estudantes o inglês era mais usado”.

Durante o inverno o cambeense chegou a enfrentar temperaturas de 10 graus negativos, mas afirma que os aquecedores praticamente anulam o frio. “O único problema é que o inverno é realmente muito longo e os dias curtos, com pouca luz, às vezes são bem tristes. O primeiro dia de neve é sempre bonito, mas semanas seguidas de neve pode ser um pouco irritante, principalmente para se movimentar a pé ou de carro”.

Luciano ainda guarda muitas lembranças de sua infância e adolescência em Cambé. “Estudei sempre no Instituto Nossa Senhora Auxiliadora. Hoje em dia às vezes acontece de tocar em um concerto com músicas de Tchaikovsky, então conto para todo mundo que onde estudei não tínhamos um sino normal para anunciar o inicio das aulas, mas sim a ‘música’ - que era a introdução do Concerto Nº1 para piano de Tchaikovsky tocado com a radiola. Quem estudou no Auxiliadora com certeza se lembra da correria para sentar nas carteiras antes da ‘música’ terminar. Gostaria de saber se até hoje as irmãs tocam Tchaikovsky no final do recreio...”.


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