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Caso Bruno. Hora de Reflexão - José Alceu Bissoqui

23 de Julho de 2010 - 09h39min

Thiago Ricieri 
José Alceu Bissoqui
Até as notícias da Copa do Mundo ficaram em segundo plano ultimamente, ante o ineditismo do caso Bruno. É que o Brasil assiste perplexo um dos crimes mais bárbaros dos últimos tempos envolvendo o famoso jogador e sua amante cujo enredo acabou de forma trágica para ela.

Não desejo citar o caso como está fazendo grande parte da mídia nacional, mas tirar lição do acontecido. Na verdade, a tragédia reflete a situação do Brasil que ultimamente se esqueceu dos valores éticos e morais, dos fundamentos da família e do temor de Deus, para mergulhar num exagerado culto ao nada.

Lembro-me da minha infância e também da juventude, quando os ensinamentos domésticos e curriculares eram baseados no respeito e na dignidade, devendo as pessoas ser consideradas sempre em primeiro lugar. Não consigo imaginar que hoje o país tem adotado uma ética caolha de valorizar o superficial. Não se busca qualidade em nada. A escola ensina mal, a saúde é precária, a segurança não existe, mas a despeito de tudo isso, o governo alcança índices de popularidade inéditos.

O povo perdeu a nação do certo e do errado, não existe mais um referencial do que é bom e recomendável, tanto é verdade que os programas de TV, estão recheados de idiotices, como “mulher melancia”, “homem prateado” “pânico na TV” e tantos outros entretenimentos imbecis que nada acrescentam e, mesmo assim, são recordes de audiências.

Por outro lado, ninguém mais é digno de confiança, nem as autoridades, nem as pessoas, nem as instituições. E quem acreditar fatalmente é enganado, porque todo mundo só quer tirar vantagem, mesmo que, para isso, tenha que pisar sobre o semelhante coisificando o ser humano.

A publicidade vende a felicidade passando a ilusão de que felicidade é a soma de prazeres, e se chega à conclusão de que só é feliz quem compra, quem tem, quem pode. Então aquele que adquire um carro, compra uma TV, consome um refrigerante ou uma marca de cerveja é o tal, mas no final não é assim. E o resultado é a decepção, a angústia e até a depressão.

Antigamente aos domingos as pessoas, geralmente iam às igrejas, onde um contacto mais íntimo com Deus aliviava as tensões diárias, hoje elas vão aos shopping-center, onde se sentem aliviadas das cargas do dia a dia, sem miséria, sem sujeira, nem crianças abandonadas nas ruas.

A falta de profundidade na conduta das pessoas transformou a sociedade num bando de neuróticos que só busca o prazer momentâneo em detrimento de uma vida serena, comedida e assentada na paz interior.

Essa mudança de atitude resulta, em muitos casos, nas tragédias que recheiam os noticiários das televisões, como o Caso Bruno, onde, de um lado, o bandido que mata sem escrúpulos, escondido atrás de um ídolo com pés de barro, enaltecido apenas pelas qualidades de atleta profissional, e do outro lado, uma mulher de virtudes duvidosas, querendo tirar vantagem de uma “barriga” não planejada (mas nem por isso merecia morrer) e o resultado todos conhecem.

Infelizmente esse é o mundo de hoje!

O autor e Advogado e Procurador Jurídico da Câmara Municipal de Cambé. Críticas, opiniões e sugestões: jabissoqui@hotmail.com


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